quarta-feira, 14 de maio de 2008

Facilitação...

Aproveito para partilhar algo sobre facilitação, que é bastante utilizado no Coaching de Equipas. Aqui vai!

De um modo sintético a facilitação enquanto processo é uma actividade com uma grande diversidade e contribui de diversas formas para o processo de aprendizagem e desenvolvimento. Como? A facilitação diferencia-se dos outros métodos por dar enfoque ao processo em detrimento do resultado propriamente dito, pese embora se atinja normalmente os mesmos ou ainda melhores resultados. É um meio que relaciona as três áreas de aprendizagem: cognitiva, emocional e comportamental!

Nos dias de hoje, em que as organizações são pressionadas e pressionam para que o seu bem mais valioso – as pessoas – se adaptem às constantes mudanças tecnológicas, sociais, culturais e empresariais, é exigido ao trabalhador e cidadão as competências necessárias (captação, desenvolvimento, utilização e evolução) para tornar a empresa sempre mais competitiva a
todos os níveis e uma sociedade mais dinâmica e participativa.

A facilitação é um meio com todas as capacidades para ser o catalizador e dotar as pessoas de um conhecimento prático, aplicativo, concreto e que é alvo de um processo de aprender fazendo e vivendo!
Não foca somente de questões técnicas (competências), mas também de relações humanas e sociais.

A facilitação enquanto método:

- Instrui os formandos;
- Ajuda a atingir o seu objectivo;
- Ajuda (sem influenciar directamente) a descobrir;
- Dá e cria as condições para serem geradas ideias;
- Lidera o processo para serem tomadas decisões;
- Controla o processo e não o resultado final;
- Faz recordar, mantém a “chama” acesa relativamente ao caminho a traçar;
- Cria uma atmosfera de participação democrática.

Em termos bibliográficos existem várias definições para o treino comportamental e os facilitadores ou treinadores neste processo estão para o treino experimental como o verbo está para uma simples frase, dá-lhe vida, concretiza o sentido:

- dar ferramentas para que os outros possam atingir os objectivos, estimulando ou fomentando skills e a habilidade para o seu uso;
- envolvem e potenciam a participação das pessoas;
- facilitam a participação de modo a adaptar as formas de captação das mensagens.

A facilitação (operacionalização) propriamente dita é a grande diferença comparativamente a outros métodos, onde é realizada uma aposta nos meios, nas relações criadas e na forma como o conhecimento é transmitido. Com esta abordagem sentimo-nos mais próximos dos participantes, percebemos melhor as suas necessidades, vivemos também as suas dificuldades em captar a mensagem e existe um desafio constante de corresponder às necessidades e dificuldades que os formandos demonstrem.


O FACILITADOR


É necessário ter consciência que no processo e na dinâmica, o facilitador modifica a vida dos participantes (e não só) e há que ter consciência dessas alterações. Tal como os professores e treinadores, também os facilitadores representam ideias, valores, conceitos, informações e muito mais. Muita responsabilidade!

O processo de facilitação ou que inclui facilitadores, tem como objectivo o alcance de determinados conhecimentos de um modo mais informal, intenso, interactivo e participativo. Uma das principais características do facilitador é o envolvimento e enfoque no processo e não no resultado final. Claro está que ao participar na discussão x ou y ou transmitir o conhecimento de forma a ou b, condicionará indirectamente (pretende-se) o resultado.

Neste meio envolvente não existem propriamente professores ou formadores no sentido que apenas transmitem (debitem) o conhecimento e o resultado final (quantidade de informação apreendida ou qualidade dos trabalhos futuros). Contudo, são criadas as condições para que os indivíduos captem a informação. A quantidade da mesma fica, não totalmente, mas muito condicionada pela forma como a pessoa se dedicou.

Este processo assenta muito na forma de estar dos participantes e no modo como é dirigida a passagem de conhecimento pelo facilitador, para que se capte de uma forma mais simples e com um predominante sentido prático. Considera-se que é necessário alguém que se preocupe muito com o processo e não só com o resultado final. Assenta muito em:

- criar as condições em termos de ambiente para que o saber seja transmitido e ao mesmo tempo captado pelo público com quem estamos a trabalhar;
- verificarmos que as pessoas, para além de captar o que transmitimos, são capazes de colocar em prática, perceber onde estão a errar e qual o objectivo de toda a acção desenvolvida.

Resumindo, deixo algumas palavras ou pequenas frases que podem ajudar a identificar facilmente a acção de um facilitador perante o participante:

- Instructor;
- Ajuda a atingir o seu objectivo;
- Ajuda (sem influenciar directamente) a descobrir;
- Dá e cria as condições para serem geradas ideias;
- Lidera o processo para serem tomadas decisões;
- Controla o processo e não o resultado final;
- Faz recordar, mantém a “chama” acesa relativamente ao caminho a traçar;
- Cria uma atmosfera de participação democrática.

Depois das fases que fazem parte de um qualquer projecto, ou seja, angariação de informação, tratamento, planeamento, diversas reuniões, quando chegamos à operacionalização é exigido ao facilitador alguns ‘dotes’:

- flexibilidade comportamental e cognitiva: capacidade de adaptação a novas formas de pensar e interagir;
- identidade cultural: desenvolvimento de relações humanas com pessoas de diferentes culturas;
- tolerância: capacidade para entender situações estranhas até à data;
- paciência;
- entusiasmo e compromisso com estes desafios;
- trabalhar as técnicas comunicativas;
- empatia;
- respeito;
- senso comum q.b. para lidar e contornar questões complexas.